No dia 11 de Setembro deste ano - data importante, não por conta daquele ataque terrorista que vocês estão pensando! rsrs... - aconteceu um encontro no Centro Cultural da Espanha chamado 5° Encontro AVLAB/"Tecnologias Sociais: arte colaborativa e intervenção urbana".
O Corposinalizante foi convidado para apresentar seu trabalho, junto com dois outros grupos palestrantes. Eu, Cibele Lucena e Luana Milani nos dispomos à ir.
o Grupo "Experiencia Imersiva Ambiental - EIA" e "Esquizotrans" fizeram parte do encontro junto com o Corposinalizante.
Entre os ouvintes, no público estavam os surdos: Marcela (aluna do curso Foco em Libras do MAM), Alexandre Melendez (participante de dois de nossos filmes: Atrás do Mundo e Corposinalizante) e mais outros surdos. Tinhamos duas intérpretes, que trabalham na UniSantana e também apareceu a mãe e avó da Luana!
Apresentamos através de alguns slides a origem do Corposinalizante e suas principais ações e no final da apresentação exibimos o filme Atrás do Mundo. Todo mundo bateu "palmas para surdos”.
Após nossa fala, participamos de uma “performance” maravilhosa do EIA. Os artistas tinham um carrinho com uma jarra de chá quente, não lembro qual sabor, eram muitas ervas misturando os sabores, para animar o povo de lá. Falavam sobre sabores... por exemplo, se você quer sentir tesão, pega a pimenta para botar na água, se quer calma, bota canela ou algo assim.
Tudo foi perfeito naquele dia!
Texto: Felipe Lima
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sábado, 18 de setembro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Leonardo Castilho no Gabi na Cola - Login - TV Cultura
Está ai os 5 partes do programa Login
Primeira parte: sobre vida
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-23/29629

Segunda parte: Leo na Faculdade
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-24/29726

Terceira parte: Balada Vibração
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-25/29746

Quarta parte: Educador no MAM
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-26/29770

Quinta parte: Corposinalizante
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-27/29818
Primeira parte: sobre vida
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-23/29629

Segunda parte: Leo na Faculdade
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-24/29726

Terceira parte: Balada Vibração
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-25/29746

Quarta parte: Educador no MAM
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-26/29770

Quinta parte: Corposinalizante
http://www.tvcultura.com.br/login/videos/reality/2010-08-27/29818
Marcadores:
Corposinalizante no Login,
Educadores surdos em ação,
Memórias
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Atrás do Mundo 2: A Resposta do CINESESC
Oi leitores e leitoras!
Muita coisa para falar, nem sei por onde começar... :)
Primeiramente, hoje o Corposinalizante começou sua reunião discutindo sobre o projeto do nosso novo filme (nome provisório: Mundo Contrário). No meio da reunião, descobrimos que hoje era o último dia do Festival dos Melhores Filmes no CineSesc (com toda a programação nacional legendada). Decidimos ir até o CineSesc para registrar o Festival e entrevistar algumas pessoas. Eu topei mesmo sendo de última hora, não tive como recusar.
Depois da reunião do Corposinalizante, antes de irmos ao Cinema, participamos do curso Aprender para Ensinar. Os alunos estavam muito interessados mas, como sempre, fica difícil trabalhar alguns assuntos da arte como "retrato" e "auto-retrato", por que estamos usando o mesmo sinal para "arte" e "pintura". O Leo disse: eu fiquei pensando nisso hoje, quando eu fui para Recife-PE, percebi que lá eles usam um sinal diferente para "arte", depois eu mostro para vocês como é esse sinal. Fui pesquisar no Dicionário de Libras e percebi que estamos usando um sinal errado para "arte".
Voltando ao assunto do cinema... no caminho do CineSesc me diverti muito andando no novo fusca da Cibele (Floquinho de Neve). (Neste momento a Cibele ligou para a Joana, mandei beijos para ela e ela mandou de volta! Estamos com saudade!) Chegamos no CineSesc com uns 30 minutos de antecedência, aproveitamos para preparar as entrevistas e outras coisas.
Fomos comer...
Falando em comer, paramos em uma lanchonete "vegan" que não serve nada de carnes - não tem prato legal para mim lá! ;) - tomei a decisão de seguir as escolhas da Cibele e Daina e veio para mim um hamburguer de "soja" ou sei lá o que! Luana e Isadora demoraram muito para escolher o que comer... como é difícil escolher um prato sem carne! (hahaha... brincadeira, a Luana é vegetariana!). Só uma coca-cola me salvou! :)
Ah, para os integrantes que participaram das filmagens do "Atrás do Mundo", Leo, Lorran, Joana... lembram que colamos o cartaz "Queremos Legendas" em frente ao CineSesc, nas paredes do Citibank? Então, atualmente a placa do banco sumiu! A casa tá feia, pintada de amarelo, acho que hoje o banco virou uma loja de tatoo... :)

Entrando no cinema, começamos a entrevistar algumas pessoas, no estilo "Atrás do Mundo". A Luana começou sozinha, foi corajosa, entrevistou duas mulheres. Luana ficou um pouco nervosa, fez perguntas um pouco repetitivas e ela mesma respondeu as perguntas... mas tudo seguiu bem.
Depois entrevistamos um homem que trabalha no cinema, ele nos deu um depoimento sobre a importância das legendas nos filmes etc.
Entramos na sala para prestigiar as legendas! Nossa, o começo foi muito tedioso. Com Selton Mello e Alessandra Negrini, o filme chamava "Erva do Rato". Bem legendado, mas com tantas cenas silenciosas, que chegava a ser engraçado... comentávamos durante o filme o quanto era chato... mas no final, inesperadamente, as últimas cenas salvaram o filme!
Fora da sala de cinema entrevistamos Maurício, que trabalha na empresa contratada pelo CineSesc para legendar os filmes do Festival. Ele nos explicou que também fez o trabalho de audio-descrição para os cegos (a Daina usou para experimentar).
Creio que esta foi a parte mais importante da parada: Maurício nos deu seu cartão, para mantermos contato e nos disse que nossa ação de 2009 foi citada em reunião do CineSesc com a empresa responsável pelas legendas. Com certeza, na opinião dele, nossa ação "Queremos Legendas nos Filmes Nacionais" foi uma das responsáveis pela legendagem de 100% da programação do Festival.
A Juliana filmou tudo, aposto que vai sair ótimo!
Tirando o hamburguer de soja e o início do filme, o dia foi PERFEITO!!!
Texto: Felipe Lima
Fotos: Felipe Lima, Daina Leyton e Juliana Di Grazia
Muita coisa para falar, nem sei por onde começar... :)
Primeiramente, hoje o Corposinalizante começou sua reunião discutindo sobre o projeto do nosso novo filme (nome provisório: Mundo Contrário). No meio da reunião, descobrimos que hoje era o último dia do Festival dos Melhores Filmes no CineSesc (com toda a programação nacional legendada). Decidimos ir até o CineSesc para registrar o Festival e entrevistar algumas pessoas. Eu topei mesmo sendo de última hora, não tive como recusar.
Depois da reunião do Corposinalizante, antes de irmos ao Cinema, participamos do curso Aprender para Ensinar. Os alunos estavam muito interessados mas, como sempre, fica difícil trabalhar alguns assuntos da arte como "retrato" e "auto-retrato", por que estamos usando o mesmo sinal para "arte" e "pintura". O Leo disse: eu fiquei pensando nisso hoje, quando eu fui para Recife-PE, percebi que lá eles usam um sinal diferente para "arte", depois eu mostro para vocês como é esse sinal. Fui pesquisar no Dicionário de Libras e percebi que estamos usando um sinal errado para "arte".
Voltando ao assunto do cinema... no caminho do CineSesc me diverti muito andando no novo fusca da Cibele (Floquinho de Neve). (Neste momento a Cibele ligou para a Joana, mandei beijos para ela e ela mandou de volta! Estamos com saudade!) Chegamos no CineSesc com uns 30 minutos de antecedência, aproveitamos para preparar as entrevistas e outras coisas.
Fomos comer...
Falando em comer, paramos em uma lanchonete "vegan" que não serve nada de carnes - não tem prato legal para mim lá! ;) - tomei a decisão de seguir as escolhas da Cibele e Daina e veio para mim um hamburguer de "soja" ou sei lá o que! Luana e Isadora demoraram muito para escolher o que comer... como é difícil escolher um prato sem carne! (hahaha... brincadeira, a Luana é vegetariana!). Só uma coca-cola me salvou! :)
Ah, para os integrantes que participaram das filmagens do "Atrás do Mundo", Leo, Lorran, Joana... lembram que colamos o cartaz "Queremos Legendas" em frente ao CineSesc, nas paredes do Citibank? Então, atualmente a placa do banco sumiu! A casa tá feia, pintada de amarelo, acho que hoje o banco virou uma loja de tatoo... :)

Entrando no cinema, começamos a entrevistar algumas pessoas, no estilo "Atrás do Mundo". A Luana começou sozinha, foi corajosa, entrevistou duas mulheres. Luana ficou um pouco nervosa, fez perguntas um pouco repetitivas e ela mesma respondeu as perguntas... mas tudo seguiu bem.
Depois entrevistamos um homem que trabalha no cinema, ele nos deu um depoimento sobre a importância das legendas nos filmes etc.
Entramos na sala para prestigiar as legendas! Nossa, o começo foi muito tedioso. Com Selton Mello e Alessandra Negrini, o filme chamava "Erva do Rato". Bem legendado, mas com tantas cenas silenciosas, que chegava a ser engraçado... comentávamos durante o filme o quanto era chato... mas no final, inesperadamente, as últimas cenas salvaram o filme!
Fora da sala de cinema entrevistamos Maurício, que trabalha na empresa contratada pelo CineSesc para legendar os filmes do Festival. Ele nos explicou que também fez o trabalho de audio-descrição para os cegos (a Daina usou para experimentar).
Creio que esta foi a parte mais importante da parada: Maurício nos deu seu cartão, para mantermos contato e nos disse que nossa ação de 2009 foi citada em reunião do CineSesc com a empresa responsável pelas legendas. Com certeza, na opinião dele, nossa ação "Queremos Legendas nos Filmes Nacionais" foi uma das responsáveis pela legendagem de 100% da programação do Festival.
A Juliana filmou tudo, aposto que vai sair ótimo!
Tirando o hamburguer de soja e o início do filme, o dia foi PERFEITO!!!
Texto: Felipe Lima
Fotos: Felipe Lima, Daina Leyton e Juliana Di Grazia
segunda-feira, 26 de abril de 2010
A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e La Langue de Signes Française (LSF): Duas línguas e uma mesma questão
Mil Mãos para um Mundo
No mês passado, recebemos duas pessoas muito especiais em nossa reunião do Corposinalizante.
Pauline e Jessica, jovens surdas, moram na França e participam da equipe do projeto Mille Mains Dans un Monde (Mil Mãos para um Mundo/ tradução livre). Elas vieram para São Paulo por que estão visitando surdos da América do Sul.
Mil Mãos para um Mundo é um grupo de repórteres amadores surdos que vai ao encontro de pessoas surdas no mundo. Explorando diferentes estilos, culturas e estudando o lugar das línguas de sinais nos países visitados.
A gente conversou quase normalmente, como os surdos fazem. Mas, como isso foi possível?
Antigamente não existiam escolas para surdos no Brasil, obviamente, e nós ainda não usávamos nossos sinais próprios. A primeira escola de surdos no Brasil foi criada em setembro de 1857 (INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos) por Dom Pedro II, no Rio de Janeiro e teve como primeiro professor Ernesto Huet, um surdo francês que trouxe a Língua de Sinais Francesa.
O Professor usou os mesmos sinais da França (La Langue de Signes Française "LSF") para o ensino no Brasil, principalmente os sinais das letras e números. É claro que agora, após muitos anos, os brasileiros já têm a sua própria língua de sinais (Língua Brasileira de Sinais "LIBRAS"), mas alguns sinais ainda são parecidos, o que dá uma ligação especial entre os surdos brasileiros e franceses.
Para conhecer a postagem de Pauline e Jessica sobre nosso encontro e conhecer mais do projeto Mille Mains Dans un Monde, entre aqui:

Texto: Felipe Lima
segunda-feira, 5 de abril de 2010
1ª Feira de Turismo Muito Especial
O MAM, na área de Acessibilidade, foi convidado para participar da Primeira Feira de Turismo Muito Especial de Pernambuco. E eu (Leonardo Castilho) fui para Recife-PE para representar os trabalhos de acessibilidade do Programa Igual Diferente, num stand no Shopping Paço Alfândega, em Recife.


Eu levei duas fotos do atendimento em LIBRAS na exposição "MAM60" na OCA: uma foto minha e a outra do educador Edinho. Também levei algumas fotos feitas pelos cegos que participaram do curso de fotografias no MAM.
Produções artísticas do grupo Corposinalizante como: "Queremos legenda nos filmes nacionais", os cartões postais "Nosso Corpo Nossa Língua" e os vídeos "Atrás do Mundo" e "Corposinalizante", também foram contemplados, além das entrevistas realizadas com o grupo pela imprensa.
Os folders do MAM também foram expostos no meu Stand. Recebi muita gente neste Stand. Pessoas ficaram sentadas nas poltronas conversando comigo e tiraram muitas dúvidas. O que mais chamou a atenção destas pessoas foram as fotos produzidas pelos cegos. Elas ficaram bobas, perguntaram um monte de coisas que eu chegava até a me perder no assunto! (risos)

As pessoas que conheci em Recife me mostraram muitos projetos em planejamento, principalmente com os surdos e cegos nos museus desta cidade e também nos museus de Salvador, se eu não estou enganado.
Disponibilizei meu e-mail para algumas destas pessoas e algumas delas já entraram em contato comigo pedindo explicações sobre acessibilidade dos surdos e sobre os cursos do "Igual Diferente", dai eu respondi de forma "detalhada" e elas adoraram minhas respostas!
Foi a minha primeira experiência viajando fora de São Paulo representando o "Igual Diferente". Chegando lá em Recife eu tive toda ansiedade de falar como é este programa, mas ao mesmo tempo, me senti tão feliz e orgulhoso, sabe como é?
Adorei ter participado dessa viagem, mas teve uma hora que fiquei um pouco perdido, pois fui sozinho e essa experiência de compartilhar a vida e o trabalho foi "MEGA".

Texto e fotos: Leonardo Castilho
Eu levei duas fotos do atendimento em LIBRAS na exposição "MAM60" na OCA: uma foto minha e a outra do educador Edinho. Também levei algumas fotos feitas pelos cegos que participaram do curso de fotografias no MAM.
Produções artísticas do grupo Corposinalizante como: "Queremos legenda nos filmes nacionais", os cartões postais "Nosso Corpo Nossa Língua" e os vídeos "Atrás do Mundo" e "Corposinalizante", também foram contemplados, além das entrevistas realizadas com o grupo pela imprensa.
Os folders do MAM também foram expostos no meu Stand. Recebi muita gente neste Stand. Pessoas ficaram sentadas nas poltronas conversando comigo e tiraram muitas dúvidas. O que mais chamou a atenção destas pessoas foram as fotos produzidas pelos cegos. Elas ficaram bobas, perguntaram um monte de coisas que eu chegava até a me perder no assunto! (risos)
Disponibilizei meu e-mail para algumas destas pessoas e algumas delas já entraram em contato comigo pedindo explicações sobre acessibilidade dos surdos e sobre os cursos do "Igual Diferente", dai eu respondi de forma "detalhada" e elas adoraram minhas respostas!
Foi a minha primeira experiência viajando fora de São Paulo representando o "Igual Diferente". Chegando lá em Recife eu tive toda ansiedade de falar como é este programa, mas ao mesmo tempo, me senti tão feliz e orgulhoso, sabe como é?
Adorei ter participado dessa viagem, mas teve uma hora que fiquei um pouco perdido, pois fui sozinho e essa experiência de compartilhar a vida e o trabalho foi "MEGA".

Texto e fotos: Leonardo Castilho
sábado, 7 de novembro de 2009
Um Ano de Corposinalizante!!
Olá todos os nossos leitores e leitoras!
Estamos aqui para comemorar o 1° ano de existência do grupo Corposinalizante, nascido em 7 de Novembro de 2008, no MAM/SP com um grupo de 8 pessoas (Camila, Felipe, Edvaldo, Leonardo, Cibele, Amarilis, Joana e Daina). Daquela data até agora novos integrantes entraram e tivemos várias conquistas... veremos a seguir:
Tudo começou com milhares de sugestões para o nome do grupo, como "Silenciarte", "Cabine das Idéias", "Além da Visão", "Autofalante" e outros. Aí pensamos em "Corposfalantes", a partir da idéia de que os nossos corpos falam. Deste nome chegamos em “CORPOSINALIZANTE” e criamos nosso logotipo, a partir de uma foto que fizemos da mão do Edinho.

No início o grupo se concentrava somente neste blog, a equipe se reunia para postar notícias sobre encontros que realizamos com artistas, invenções na rua e pesquisas desenvolvidas pelos alunos do programa "Aprender Para Ensinar" do MAM-SP.


Entrevista do Aprender para Ensinar com a artista Leya Mira Brander
O ano de 2009 começou diferente, com novidades. Recebemos um convite da TV Brasil em parceira com o Museu da Pessoa, para criar dois filmes de 5 minutos para serem exibidos na TvBrasil, parte do projeto Ponto Brasil. Participamos deste projeto junto com outros grupos convidados: Afrofuturismo, Política do Impossível e As Rutes.
Dentro deste projeto criamos nossos primeiros filmes: "Corposinalizante" e "Atrás do Mundo".
"Atrás do Mundo" não é apenas um filme, mas um filme-manifesto que luta por legendas em filmes nacionais. "Corposinalizante" é um filme que registra um círculo de histórias, no qual cada surdo participante conta uma história que marcou sua vida. Participaram como nossos convidados Alex Melendez e Cristiano Koyama, muito importantes na comunidade surda.


Making of de "Atrás do Mundo"
O Corposinalizante sempre foi presente nas aulas do projeto "Aprender Para Ensinar" no MAM, monitorando grupos, coordenando intervenções na cidade, criando performances - como para os cartões postais "Nosso Corpo Nossa Língua" - participando de entrevistas com artistas e visitas à outros museus.






Experiências poéticas na cidade
Agora em outubro participamos de uma matéria na revista TRIP sobre jovens ativistas e fomos convidados pelas instituições Museu da Pessoa, Ashoka e Mais Diferenças para coordenar uma formação de professores em círculo de histórias - nossa primeira experiência em formação de professores.

Neste caminho conhecemos muitas pessoas, grupos e instituições e fizemos muitos parceiros, como Alex e Cristiano, os fotógrafos Peetssa e Isaumir Nascimento, os artistas Daniel Lima, Rafael Leona, Sato, Yili Rojas, Estela Lapponi, os percussionistas Fernando Alabê e Rafael, o Museu da Pessoa, Ashoka e Mais Diferenças, entre muitos outros.
Que venha mais um ano, com várias novas conquistas!
Seguimos em frente... Nosso Corpo é Nossa Língua!

Texto: Felipe Lima
Estamos aqui para comemorar o 1° ano de existência do grupo Corposinalizante, nascido em 7 de Novembro de 2008, no MAM/SP com um grupo de 8 pessoas (Camila, Felipe, Edvaldo, Leonardo, Cibele, Amarilis, Joana e Daina). Daquela data até agora novos integrantes entraram e tivemos várias conquistas... veremos a seguir:
Tudo começou com milhares de sugestões para o nome do grupo, como "Silenciarte", "Cabine das Idéias", "Além da Visão", "Autofalante" e outros. Aí pensamos em "Corposfalantes", a partir da idéia de que os nossos corpos falam. Deste nome chegamos em “CORPOSINALIZANTE” e criamos nosso logotipo, a partir de uma foto que fizemos da mão do Edinho.

No início o grupo se concentrava somente neste blog, a equipe se reunia para postar notícias sobre encontros que realizamos com artistas, invenções na rua e pesquisas desenvolvidas pelos alunos do programa "Aprender Para Ensinar" do MAM-SP.
Entrevista do Aprender para Ensinar com a artista Leya Mira Brander
O ano de 2009 começou diferente, com novidades. Recebemos um convite da TV Brasil em parceira com o Museu da Pessoa, para criar dois filmes de 5 minutos para serem exibidos na TvBrasil, parte do projeto Ponto Brasil. Participamos deste projeto junto com outros grupos convidados: Afrofuturismo, Política do Impossível e As Rutes.
Dentro deste projeto criamos nossos primeiros filmes: "Corposinalizante" e "Atrás do Mundo".
"Atrás do Mundo" não é apenas um filme, mas um filme-manifesto que luta por legendas em filmes nacionais. "Corposinalizante" é um filme que registra um círculo de histórias, no qual cada surdo participante conta uma história que marcou sua vida. Participaram como nossos convidados Alex Melendez e Cristiano Koyama, muito importantes na comunidade surda.


Making of de "Atrás do Mundo"
O Corposinalizante sempre foi presente nas aulas do projeto "Aprender Para Ensinar" no MAM, monitorando grupos, coordenando intervenções na cidade, criando performances - como para os cartões postais "Nosso Corpo Nossa Língua" - participando de entrevistas com artistas e visitas à outros museus.
Experiências poéticas na cidade
Agora em outubro participamos de uma matéria na revista TRIP sobre jovens ativistas e fomos convidados pelas instituições Museu da Pessoa, Ashoka e Mais Diferenças para coordenar uma formação de professores em círculo de histórias - nossa primeira experiência em formação de professores.

Neste caminho conhecemos muitas pessoas, grupos e instituições e fizemos muitos parceiros, como Alex e Cristiano, os fotógrafos Peetssa e Isaumir Nascimento, os artistas Daniel Lima, Rafael Leona, Sato, Yili Rojas, Estela Lapponi, os percussionistas Fernando Alabê e Rafael, o Museu da Pessoa, Ashoka e Mais Diferenças, entre muitos outros.
Que venha mais um ano, com várias novas conquistas!
Seguimos em frente... Nosso Corpo é Nossa Língua!

Texto: Felipe Lima
sábado, 11 de julho de 2009
1, 2, 3, ZAP!!!!
Na última quinta-feira fomos ao ZAP!
Zona Autônoma da Palavra, a primeira noite de "Poetry Slam" (batalha de poesia) do Brasil. Acontece toda segunda quinta-feira do mês no Núcleo Bartolomeu de Depoimentos - Teatro Hip Hop.
É um espaço dedicado à poesia falada, ágora livre, fresta no tempo, onde a diversidade é convidada de honra e a celebração da palavra o principal objetivo. A entrada é livre, é só chegar. A noite começa com a projeção de um filme às 19h. Em seguida, às 20h, começa o "Microfone aberto", onde podem ser declamadas (ou lidas) poesias e textos autorais e de outros autores. Às 21h começa a batalha, o "Slam"! Qualquer pessoa pode participar, é só se inscrever na hora! Quem ganha o "Slam" leva como prêmio uma pilha de livros! livros! livros!

Neste ZAP! assistimos o filme "Carta ao Presidente", que trata da relação
política X hip hop.



Participantes...


Eugênio Lima o ZAPeão da noite!!
No blog do ZAP! eles comentam nossa participação: (...) e a diversidade esteve presente no palco e na platéia: tivemos a participação do grupo de artistas surdos Corposinalizante (www.corpo-sinalizante.blogspot.com) e tradução simultânea das poesias para LIBRAS (Lingua Brasileira de Sinais).
confira mais informações aqui: http://zapslam.blogspot.com
O sarau foi inspirador! Estamos pensando em voltar no próximo para apresentar poesias em LIBRAS! Poesias corporais-visuais...Abaixo algumas poesias do Corposinalizante:
*
Grande Partida da Infância
(Felipe Lima)
No meio da rua
Num velho bairro da periferia
Terá uma grande partida
Onde o grande é pequeno
Em pleno sábado quente
Chegaram sem hora marcada
Os rostos dos jogadores são como uniformes
Depois de ímpar e par e após disso a bola já é rolada
Onde tem bola velha e murcha
Ou bola de tênis suja
Ou até lata de cerveja amassada do papai
Que é a bola do jogo
O par de tênis que fica entre gols como trave do gol
Chinelos velhos que ficam nas mãos como luva do goleiro
Sem limites dos números de jogadores
Tem permissão de jogar sem ou com tênis
Os olhos dos jogadores fixam na bola
Esquecem a placa do jogo
Até esquecem o dever de casa
Até esquecem o almoço
Os ruins vão para o gol
Os bons só atrás da bola
Raramente terá substituições
Todos os jogadores são juízes
O jogo pode ser interrompido
Quando o Fusca ou a Brasília passarem na rua
Também quando a bola cair no quintal da vizinhança
Após isso, resgatam uma bola e normalmente o jogo volta
O jogo nunca vai terminar, até anoitecer
Ou até quebrar um vidro da vizinhança
Ou até a tempestade
Ou até a mãe do dono da bola chamar para ficar de castigo
Assim o jogo termina!
Passarar
(Cibele Lucena)
Pas.sa.rar (prática abaquar) vint 1 Ato de fazer acrobacia; rasante da ordem dos passeriformes; 2 Locomover-se aos saltos; 3 Confiar nos cantos: o que aqui ressoa, ressoa lá; 4 Projetar o corpo para o passado e para o futuro em tempo presente: aqui e lá são apenas possíveis; 5 Estender-se; transmigrar; planar: um pássaro à frente e você não está mais no mesmo lugar.
Salto Alto, altíssimo
(Joana Zatz Mussi)
Fotos: Cibele Lucena e Rafael Leona
Corposinalizante
Zona Autônoma da Palavra, a primeira noite de "Poetry Slam" (batalha de poesia) do Brasil. Acontece toda segunda quinta-feira do mês no Núcleo Bartolomeu de Depoimentos - Teatro Hip Hop.
É um espaço dedicado à poesia falada, ágora livre, fresta no tempo, onde a diversidade é convidada de honra e a celebração da palavra o principal objetivo. A entrada é livre, é só chegar. A noite começa com a projeção de um filme às 19h. Em seguida, às 20h, começa o "Microfone aberto", onde podem ser declamadas (ou lidas) poesias e textos autorais e de outros autores. Às 21h começa a batalha, o "Slam"! Qualquer pessoa pode participar, é só se inscrever na hora! Quem ganha o "Slam" leva como prêmio uma pilha de livros! livros! livros!

Neste ZAP! assistimos o filme "Carta ao Presidente", que trata da relação
política X hip hop.



Participantes...


Eugênio Lima o ZAPeão da noite!!
No blog do ZAP! eles comentam nossa participação: (...) e a diversidade esteve presente no palco e na platéia: tivemos a participação do grupo de artistas surdos Corposinalizante (www.corpo-sinalizante.blogspot.com) e tradução simultânea das poesias para LIBRAS (Lingua Brasileira de Sinais).
confira mais informações aqui: http://zapslam.blogspot.com
O sarau foi inspirador! Estamos pensando em voltar no próximo para apresentar poesias em LIBRAS! Poesias corporais-visuais...Abaixo algumas poesias do Corposinalizante:
*
Grande Partida da Infância
(Felipe Lima)
No meio da rua
Num velho bairro da periferia
Terá uma grande partida
Onde o grande é pequeno
Em pleno sábado quente
Chegaram sem hora marcada
Os rostos dos jogadores são como uniformes
Depois de ímpar e par e após disso a bola já é rolada
Onde tem bola velha e murcha
Ou bola de tênis suja
Ou até lata de cerveja amassada do papai
Que é a bola do jogo
O par de tênis que fica entre gols como trave do gol
Chinelos velhos que ficam nas mãos como luva do goleiro
Sem limites dos números de jogadores
Tem permissão de jogar sem ou com tênis
Os olhos dos jogadores fixam na bola
Esquecem a placa do jogo
Até esquecem o dever de casa
Até esquecem o almoço
Os ruins vão para o gol
Os bons só atrás da bola
Raramente terá substituições
Todos os jogadores são juízes
O jogo pode ser interrompido
Quando o Fusca ou a Brasília passarem na rua
Também quando a bola cair no quintal da vizinhança
Após isso, resgatam uma bola e normalmente o jogo volta
O jogo nunca vai terminar, até anoitecer
Ou até quebrar um vidro da vizinhança
Ou até a tempestade
Ou até a mãe do dono da bola chamar para ficar de castigo
Assim o jogo termina!
Passarar
(Cibele Lucena)
Pas.sa.rar (prática abaquar) vint 1 Ato de fazer acrobacia; rasante da ordem dos passeriformes; 2 Locomover-se aos saltos; 3 Confiar nos cantos: o que aqui ressoa, ressoa lá; 4 Projetar o corpo para o passado e para o futuro em tempo presente: aqui e lá são apenas possíveis; 5 Estender-se; transmigrar; planar: um pássaro à frente e você não está mais no mesmo lugar.
Salto Alto, altíssimo
(Joana Zatz Mussi)
Por que rígida quanto como somos?
Bate em tecla mesma
Mesmo sem querer
E bate, bate perna, procura, experimenta e não acha
Cadê?
Esta ali atônita, o universo a sua volta e olha
e não encontra
Pensou um dia que queria um vestido vermelho
Talvez um sapato bem alto, para ver do alto
Mas não sabia direito, o sentimento era este
Mas era outro
Vermelho na verdade pois queria ser mulher
E não sabia
O alto salto do sapato, porque queria saber saltar
E aprender, finalmente, a ir do alto para o baixo
E do baixo profundo para o alto
E no altíssimo sentido do mundo não se perder
Só que não ouviu direito, aquela mulher
Não se ouviu, não se fez
E bateu perna e a cabeça,
Vou te falar, ah, ela bateu!
Quanta tristeza criou para si mesma,
quantas lojas visitou
sem se encontrar, sem saber porquê,
e se perguntava: por quê?
Até que um dia tirou o salto e pensou sobre ele
E percebeu que lá estava contida toda a sua angústia
E a sua cura
Para colocá-lo e retirá-lo era preciso
muito mais esforço do que jamais imaginara
E o sentimento profundo daquele movimento
Alto, baixo,
Amplidão, minúcia,
Gênero e Espécie
Sentiu, finalmente sentiu a pulsação da vida
Naquele salto pôde passar do sofrimento e rigidez
À deliciosa maciez do mundo
E, assim, concebeu a si mesma.
Fotos: Cibele Lucena e Rafael Leona
Corposinalizante
Marcadores:
Encontros com artistas,
Memórias,
Redes,
Referências
sábado, 30 de maio de 2009
sábado, 9 de maio de 2009
Histórias do Aprender para Ensinar 2009
a. Pense em uma história que marcou sua vida;
b. Encontre uma imagem que se relacione, de alguma maneira, com essa história;
c. Em um minuto, conte sua história e mostre a imagem escolhida;
Câmera: Leonardo Castilho
Edição: Thiago Lucena
Corposinalizante
b. Encontre uma imagem que se relacione, de alguma maneira, com essa história;
c. Em um minuto, conte sua história e mostre a imagem escolhida;
Câmera: Leonardo Castilho
Edição: Thiago Lucena
Corposinalizante
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Curso Aprender para Ensinar,
Memórias
terça-feira, 31 de março de 2009
A história do meu nome
Durante os meses de fevereiro e março deste ano estivemos participando de oficinas no Museu da Pessoa, parte do projeto Ponto Brasil, da Tv Brasil. Nestas oficinas aprendemos a metodologia do Círculo de Histórias - que usaremos em um de nossos filmes de 5 minutos, o "Corposinalizantes".
Abaixo a história contada por Felipe Lima:
Vídeo: Gabriel (Museu da Pessoa)
Corposinalizante
Abaixo a história contada por Felipe Lima:
Vídeo: Gabriel (Museu da Pessoa)
Corposinalizante
domingo, 23 de novembro de 2008
Memória do Felipe
Sábado, dia 22 de novembro. Na hora do jantar, comi lasanha (morram de inveja, meus queridos leitores), depois comi sobremesa, mousse de maracujá, uma delícia, apesar de o sabor de maracujá ser muito forte, mas está valendo. Depois disso, aproveitei meu tempo livre lendo o livro que minha tia começou a ler, o nome é Como atirar vacas no precipício, li do começo até a última página.
O livro me lembrou algumas coisas de que nunca havia me lembrado antes, era dentro do MAM, na minha terceira monitoria, inverno de 2005. A minha dupla é com Taís, para trabalhar com outras escolas.
A primeira escola a nos visitar foi a Derdic, chegou na hora certa. Eram alunos de 4ª série. Com poucos grupos e muitos monitores, o que fazer com os monitores sobrantes? A Carolina mandou eu e Taís formarmos outra dupla, ficamos quatro monitores com um grupo de cerca de seis alunos e uma professora. Conheço muito bem os alunos da Derdic, os monitores novatos não precisam se preocupar, e eu também não tenho motivo para me preocupar com nada.
Quando passamos pela exposição de Andy Warhol, os alunos se sentam e assistem alguns vídeos, então um certo aluno me perguntou se Andy inventou a super-heroína Mulher-Maravilha.
Respondi:
– Claro que não. Por quê?
– Porque essa mulher do vídeo combina com a mulher-maravilha.
– Não combina nada.
– Combina sim!
– Não! Esqueça isso, vamos ver outros vídeos aí.
Aquele aluno assistia muito a série da Liga da Justiça.
No meio do trabalho, ainda no salão da exposição de Andy Warhol, veio a Carolina de novo, tocou no meu ombro e disse:
– A outra escola já chegou, preciso de você e da Taís para a monitoria.
A Taís ficou com cara de lamentada ou triste, e eu também, mas não mostro minha cara feia para a Carolina.
Despedi-me dos alunos, quase ninguém se despedia, apenas aquele menino que achou que Andy era o inventor da Mulher-Maravilha, deu um aperto de mão e falei:
– Presta atenção com esses monitores!
Voltei à entrada com Taís, nossa, apareceram cerca de cinqüenta alunos, ou mais!
Quando todos os alunos da outra escola estavam dentro da entrada do museu, por quê? Lembro muito bem que o tempo era muito frio aquele dia, até havia levado o gigante casaco do meu pai.
Demorou muito pra dividir os grupos, esperei muito, devo ter passado cinco minutos perto da porta.
Eu estava perto da saída do museu, como disse, aproveitei para dar uma boa visão na bela paisagem de fora do museu. Aí, aconteceu uma coisa muito estranha, um mendigo carregando uma sacola estava fora do museu e me olhou (porque a parede do museu é toda de vidro, dá pra ver fora) e sinalizou para mim, olhei pra ele com muita paciência, claro.
Ele falou comigo em Libras perfeitamente!
Assustei-me e pensei “Como ele sabe falar em Libras?”
Ele diz:
– Tudo bem? Eu sou surdo.
Respondi sim com a cabeça, mexendo com um sorriso falso.
Ele desenrolou outro assunto:
-Eu já me formei na faculdade nos Estados Unidos, é Faculdade (não lembro qual a faculdade para surdos, é famosa) e agora sou professor da faculdade de lá.
Fiquei com os olhos abertos. Como podia ser um professor de faculdade nos EUA e mendigo aqui no Brasil?
Comecei pensando que ele era como no filme “A Vida de David Gale”, que tem o cara que era professor de faculdade no Texas e que acabou a vida pobre.
Fiquei dez segundos calado após afirmação dele, pensei muito, “é impossível acontecer essa história, acho que tudo é mentira, então”.
E eu ia perguntar “Se você é professor da faculdade, por que você se veste assim?”.
Pena que não perguntei, porque a Carolina me puxou pra colocar no grupo, dizendo:
– Rápido!
Dei um sinal para o mendigo de que precisava ir, ele deu um sorriso para mim.
Carolina o viu, e disse com sorriso:
– Ah, vocês estão conversando.
E voltei ao lugar de trabalho com a Taís, e depois de dez segundos estava pensando, pra virar a minha cabeça, para ver se tem tempo para perguntar para o Mendigo. Viro minha cabeça pra atrás, o Mendigo sumiu! E Carolina também não está mais naquele lugar.
Muito estranho. Mas foi a Taís quem me esqueceu durante toda essa história.
Ela ficou com muito medo, vive me perguntando como se faz e fala assim: “tô toda vermelhinha”.
Assim a ajudei, mas o grupo que íamos acompanhar era muito grande, devia ter vinte alunos, por aí, e a professora do grupo me disse que estava pronta. Outra coisa estranha.
A Carolina é quem me salvou, disse para a professora que precisa dividir esse grande grupo, e como professora de grupo não quer perder tempo mandou:
-Separar os grupos, meninos e meninas, AGORA!
Mais uma coisa estranha, fiquei pensando “qual é o problema com meninos e meninas aí?”
Deixo para lá, porque é melhor ficar com sete do que com mais de vinte, e Taís ainda tremendo diz:
– Não quero que nos separem!
Falei:
– Relaxe, a gente não vai se separar.
– Que bom, por isso preciso de você, Felipe.
Taís me abraçou, não sei nada sobre se isso é coisa de mulher ou sei lá.
E a minha dupla não se separou mesmo, outra dupla foi se juntar ao grupo dos meninos.
Começou a minha monitoria, o grupo das meninas é quem vai ver o nosso trabalho, a primeira visita é a sala do lado direto, onde tem as obras de Nelson Felix. Expliquei muito bem e minha companheira Taís explicou menos, é assim que sempre acontece na primeira monitoria.
É bem fácil pra mim, o motivo do artista é provar que existem as coisas que podem durar muito tempo com o mesmo formato, e que outras coisas podem mudar de forma com o tempo.
Como o exemplo: o ferro pode mudar a forma, sua cor prata, depois de algum tempo, fica com cor avermelhada, isso significa que está enferrujado.
E outro: A pedra nunca vai mudar, mesmo com muito tempo.
Todos os olhos do grupo estão olhando na minha cara, na minha mão (espero que não seja por ser bonito), toda a atenção, assim não preciso dizer aquele clássico “Preste atenção” ou “fim de papo”. Ainda bem, a professora tem toda razão em separar meninos e meninas.
A apresentação foi curta porque um segurança me mandou ficar menos tempo, porque estava cheio de pessoas, então fim de visita sobre Nelson Felix. Fui para o salão, que eu adoro visitar, é de Andy Warhol, sobre arte pop nos anos 70 e 80.
Contei sobre a vida dele. Como eu sei a vida dele? Na aula antes da monitoria, eu e os alunos do “Aprender pra ensinar” assistimos ao filme Basquiat - Traços de uma vida na Derdic. Dentro do filme, aparece o Andy, um filme interessante, queria assistir de novo, quem sabe um dia vamos assistir de novo :).
Taís abriu muito mais a mente dela, explicou muito mais, parabéns a ela.
O tempo da monitoria para os alunos foi muito curto, porque a escola chegou muito atrasada e precisa ir embora. É assim quando as escolas chegam atrasadas.
Bem, preciso despedir-me do grupo, antes disso perguntei para o grupo se haviam gostado ou não, recebi as respostas “Adorei”, como sempre.
É o fim do meu trabalho, ainda melhor do que ser monitor é o dia seguinte, quando começam as férias!
Felipe Lima
O livro me lembrou algumas coisas de que nunca havia me lembrado antes, era dentro do MAM, na minha terceira monitoria, inverno de 2005. A minha dupla é com Taís, para trabalhar com outras escolas.
A primeira escola a nos visitar foi a Derdic, chegou na hora certa. Eram alunos de 4ª série. Com poucos grupos e muitos monitores, o que fazer com os monitores sobrantes? A Carolina mandou eu e Taís formarmos outra dupla, ficamos quatro monitores com um grupo de cerca de seis alunos e uma professora. Conheço muito bem os alunos da Derdic, os monitores novatos não precisam se preocupar, e eu também não tenho motivo para me preocupar com nada.
Quando passamos pela exposição de Andy Warhol, os alunos se sentam e assistem alguns vídeos, então um certo aluno me perguntou se Andy inventou a super-heroína Mulher-Maravilha.
Respondi:
– Claro que não. Por quê?
– Porque essa mulher do vídeo combina com a mulher-maravilha.
– Não combina nada.
– Combina sim!
– Não! Esqueça isso, vamos ver outros vídeos aí.
Aquele aluno assistia muito a série da Liga da Justiça.
No meio do trabalho, ainda no salão da exposição de Andy Warhol, veio a Carolina de novo, tocou no meu ombro e disse:
– A outra escola já chegou, preciso de você e da Taís para a monitoria.
A Taís ficou com cara de lamentada ou triste, e eu também, mas não mostro minha cara feia para a Carolina.
Despedi-me dos alunos, quase ninguém se despedia, apenas aquele menino que achou que Andy era o inventor da Mulher-Maravilha, deu um aperto de mão e falei:
– Presta atenção com esses monitores!
Voltei à entrada com Taís, nossa, apareceram cerca de cinqüenta alunos, ou mais!
Quando todos os alunos da outra escola estavam dentro da entrada do museu, por quê? Lembro muito bem que o tempo era muito frio aquele dia, até havia levado o gigante casaco do meu pai.
Demorou muito pra dividir os grupos, esperei muito, devo ter passado cinco minutos perto da porta.
Eu estava perto da saída do museu, como disse, aproveitei para dar uma boa visão na bela paisagem de fora do museu. Aí, aconteceu uma coisa muito estranha, um mendigo carregando uma sacola estava fora do museu e me olhou (porque a parede do museu é toda de vidro, dá pra ver fora) e sinalizou para mim, olhei pra ele com muita paciência, claro.
Ele falou comigo em Libras perfeitamente!
Assustei-me e pensei “Como ele sabe falar em Libras?”
Ele diz:
– Tudo bem? Eu sou surdo.
Respondi sim com a cabeça, mexendo com um sorriso falso.
Ele desenrolou outro assunto:
-Eu já me formei na faculdade nos Estados Unidos, é Faculdade (não lembro qual a faculdade para surdos, é famosa) e agora sou professor da faculdade de lá.
Fiquei com os olhos abertos. Como podia ser um professor de faculdade nos EUA e mendigo aqui no Brasil?
Comecei pensando que ele era como no filme “A Vida de David Gale”, que tem o cara que era professor de faculdade no Texas e que acabou a vida pobre.
Fiquei dez segundos calado após afirmação dele, pensei muito, “é impossível acontecer essa história, acho que tudo é mentira, então”.
E eu ia perguntar “Se você é professor da faculdade, por que você se veste assim?”.
Pena que não perguntei, porque a Carolina me puxou pra colocar no grupo, dizendo:
– Rápido!
Dei um sinal para o mendigo de que precisava ir, ele deu um sorriso para mim.
Carolina o viu, e disse com sorriso:
– Ah, vocês estão conversando.
E voltei ao lugar de trabalho com a Taís, e depois de dez segundos estava pensando, pra virar a minha cabeça, para ver se tem tempo para perguntar para o Mendigo. Viro minha cabeça pra atrás, o Mendigo sumiu! E Carolina também não está mais naquele lugar.
Muito estranho. Mas foi a Taís quem me esqueceu durante toda essa história.
Ela ficou com muito medo, vive me perguntando como se faz e fala assim: “tô toda vermelhinha”.
Assim a ajudei, mas o grupo que íamos acompanhar era muito grande, devia ter vinte alunos, por aí, e a professora do grupo me disse que estava pronta. Outra coisa estranha.
A Carolina é quem me salvou, disse para a professora que precisa dividir esse grande grupo, e como professora de grupo não quer perder tempo mandou:
-Separar os grupos, meninos e meninas, AGORA!
Mais uma coisa estranha, fiquei pensando “qual é o problema com meninos e meninas aí?”
Deixo para lá, porque é melhor ficar com sete do que com mais de vinte, e Taís ainda tremendo diz:
– Não quero que nos separem!
Falei:
– Relaxe, a gente não vai se separar.
– Que bom, por isso preciso de você, Felipe.
Taís me abraçou, não sei nada sobre se isso é coisa de mulher ou sei lá.
E a minha dupla não se separou mesmo, outra dupla foi se juntar ao grupo dos meninos.
Começou a minha monitoria, o grupo das meninas é quem vai ver o nosso trabalho, a primeira visita é a sala do lado direto, onde tem as obras de Nelson Felix. Expliquei muito bem e minha companheira Taís explicou menos, é assim que sempre acontece na primeira monitoria.
É bem fácil pra mim, o motivo do artista é provar que existem as coisas que podem durar muito tempo com o mesmo formato, e que outras coisas podem mudar de forma com o tempo.
Como o exemplo: o ferro pode mudar a forma, sua cor prata, depois de algum tempo, fica com cor avermelhada, isso significa que está enferrujado.
E outro: A pedra nunca vai mudar, mesmo com muito tempo.
Todos os olhos do grupo estão olhando na minha cara, na minha mão (espero que não seja por ser bonito), toda a atenção, assim não preciso dizer aquele clássico “Preste atenção” ou “fim de papo”. Ainda bem, a professora tem toda razão em separar meninos e meninas.
A apresentação foi curta porque um segurança me mandou ficar menos tempo, porque estava cheio de pessoas, então fim de visita sobre Nelson Felix. Fui para o salão, que eu adoro visitar, é de Andy Warhol, sobre arte pop nos anos 70 e 80.
Contei sobre a vida dele. Como eu sei a vida dele? Na aula antes da monitoria, eu e os alunos do “Aprender pra ensinar” assistimos ao filme Basquiat - Traços de uma vida na Derdic. Dentro do filme, aparece o Andy, um filme interessante, queria assistir de novo, quem sabe um dia vamos assistir de novo :).
Taís abriu muito mais a mente dela, explicou muito mais, parabéns a ela.
O tempo da monitoria para os alunos foi muito curto, porque a escola chegou muito atrasada e precisa ir embora. É assim quando as escolas chegam atrasadas.
Bem, preciso despedir-me do grupo, antes disso perguntei para o grupo se haviam gostado ou não, recebi as respostas “Adorei”, como sempre.
É o fim do meu trabalho, ainda melhor do que ser monitor é o dia seguinte, quando começam as férias!
Felipe Lima
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